Como escrever um objetivo de OKR: os 6 testes que o seu texto precisa passar

Por Érico Rodrigues5 min de leitura
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Um bom objetivo de OKR é qualitativo, memorável e diz aonde a empresa quer chegar sem usar número. Ele passa em seis testes: cabe numa frase, é lembrado sem consulta, não tem número, alguém poderia discordar dele, orienta decisão no meio da semana e não poderia ser o objetivo de qualquer empresa do mundo.

Para que serve o objetivo, já que ele não mede nada?

Ele serve para dar sentido aos números. Três resultados-chave soltos são uma lista de metas; os mesmos três embaixo de uma frase que explica por que eles importam viram uma aposta que o time consegue defender.

E serve para a decisão do meio da semana, que é o único momento em que o OKR tem valor prático. Quando aparecem duas coisas urgentes e dá para fazer uma, ninguém consulta planilha: a pessoa decide com o que está na cabeça dela. É o objetivo que precisa estar lá.

Teste 1: cabe numa frase?

Uma frase, sem vírgula emendando três ideias. Se você precisou de duas orações coordenadas, provavelmente são dois objetivos, e o certo é escolher um.

ReprovadoAprovado
Melhorar a experiência do cliente e reduzir custos operacionais aumentando a eficiênciaFazer o cliente resolver o problema dele sem esperar por nós
Crescer 40% mantendo a qualidade e a satisfação do timeProvar que o nosso modelo escala fora da capital
Implementar processos e melhorar a gestãoParar de depender da memória de três pessoas para operar
Antes e depois

Teste 2: alguém lembra sem consultar?

Pergunte a três pessoas do time, separadamente, numa quarta-feira comum. Se as três responderem sem abrir nada, passou. Se alguém precisar consultar, o objetivo pode estar bem escrito e não está fazendo o trabalho dele.

Esse teste também diagnostica quantidade: com quatro objetivos, ninguém lembra de todos, e a solução não é escrever melhor, é ter menos.

Teste 3: está livre de número?

"Dobrar o faturamento" não é objetivo, é resultado-chave. Quando o número aparece na frase de cima, o time perde a camada que dá sentido, e a discussão do trimestre vira sobre a meta em vez de sobre a aposta.

O conserto é perguntar por quê. "Dobrar o faturamento" para quê? Se a resposta for "provar que o modelo escala fora da capital", achamos o objetivo, e dobrar o faturamento vira um dos resultados-chave.

Formulário de criação de objetivo no Orzon, com título, time, ciclo e responsável
O objetivo é escrito sem número. Os números entram nos resultados-chave, na etapa seguinte

Teste 4: alguém razoável poderia discordar?

Este é o teste que mais reprova, e o mais útil. "Encantar nossos clientes" e "ser referência no mercado" não passam: ninguém na empresa discordaria, e por isso eles não decidiram nada.

Objetivo é escolha, e escolha implica que existia outra coisa razoável que ficou de fora. "Provar que o modelo escala fora da capital" tem um oposto defensável, que é aprofundar na praça atual. É isso que o torna uma decisão.

Um jeito rápido de aplicar: escreva o objetivo contrário. Se o contrário for absurdo ("piorar a experiência do cliente"), o seu objetivo não é uma escolha. Se o contrário for uma estratégia que outra empresa poderia legitimamente adotar, você escolheu.

Teste 5: orienta decisão no meio da semana?

Imagine a situação concreta: quinta-feira, dez da manhã, um cliente grande pede uma customização e o time tinha planejado trabalhar em outra coisa. O seu objetivo ajuda alguém a decidir?

Se a resposta for não, o objetivo é um enunciado, não uma direção. Objetivos que passam nesse teste costumam ter em comum o fato de nomearem um foco estreito o bastante para excluir coisas.

Teste 6: serve para qualquer empresa?

Cubra o nome da sua empresa e leia o objetivo. Se ele poderia estar pendurado na parede de uma concorrente, de uma padaria e de um hospital, ele é genérico demais para orientar alguém.

Serve para qualquer empresaSó serve para esta
Aumentar a satisfação dos clientesFazer a tarde da padaria valer tanto quanto a manhã
Ser mais eficienteParar de depender do dono para fechar qualquer venda acima de R$ 20 mil
Crescer de forma sustentávelProvar que a operação funciona sem o fundador na obra
O teste da genericidade

O procedimento, em 20 minutos

  1. Cada pessoa da liderança escreve, sozinha, o objetivo que acha certo. Cinco minutos, sem discutir.
  2. Leiam todos em voz alta, sem comentar. Costumam aparecer duas ou três ideias distintas.
  3. Escolham uma. Não juntem: juntar produz a frase com vírgulas que reprova no teste 1.
  4. Rodem os seis testes na escolhida, em voz alta.
  5. Reescrevam uma vez. Quase sempre a segunda versão é bem melhor que a primeira.

O passo 3 é onde está o valor e o desconforto. A tentação de juntar as três ideias numa frase é enorme, porque ninguém sai perdendo. E é exatamente por isso que ela não decide nada.

Perguntas frequentes

Objetivo pode ser inspirador demais?
Pode, e o sinal é o time achar graça. Objetivo que soa a slogan de campanha publicitária perde credibilidade e passa a ser repetido com ironia, o que é pior do que não existir. A régua prática é escrever como você falaria numa conversa, não como escreveria num release.
Quantos objetivos por time?
Um, no primeiro ciclo, e no máximo dois depois. O teste da memória resolve a discussão: se o time não recita os dois de cabeça na quarta-feira, o segundo não está fazendo trabalho nenhum e só ocupa espaço.
O objetivo pode ser o mesmo em dois trimestres seguidos?
Pode, e às vezes é a decisão certa, quando a aposta continua valendo e o trabalho não terminou. O que precisa mudar são os resultados-chave, com metas novas a partir do ponto onde você chegou. Repetir objetivo e resultados-chave iguais significa que o trimestre passado não aconteceu.
Preciso de objetivo se tenho só um resultado-chave?
Se você tem um resultado-chave só, provavelmente ele é o objetivo e não precisa de uma frase por cima. Um objetivo com um resultado-chave costuma ser a mesma coisa escrita duas vezes, e a cerimônia extra não acrescenta clareza nenhuma.
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