Trello x Orzon: do quadro de cartões ao objetivo que os cartões servem

Por Érico Rodrigues4 min de leitura
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O Trello é a melhor ferramenta que existe para começar a organizar trabalho: em dez minutos qualquer equipe está usando. O teto aparece quando a empresa precisa responder não "o que estamos fazendo", mas "isso está nos levando a algum lugar". São perguntas diferentes, e nenhuma quantidade de cartões responde a segunda.

Onde o Trello é melhor que o Orzon

  • Adoção: qualquer pessoa entende o produto em dez minutos, sem treinamento.
  • Simplicidade: não há configuração para fazer antes de começar a usar.
  • Custo de entrada, com um plano gratuito generoso para equipe pequena.
  • Flexibilidade de uso pessoal, de lista de compras a planejamento de viagem.

Se a sua empresa não organiza o trabalho de jeito nenhum hoje, começar pelo Trello é uma recomendação melhor que comprar qualquer coisa mais sofisticada. O hábito de olhar um quadro junto vale mais que o recurso que falta.

Onde está o teto?

A força do Trello é ele só saber uma coisa: cartão em coluna. Isso é o que o torna imediato, e é o que impõe o teto, porque três perguntas de gestão não cabem nesse modelo.

PerguntaPor que não cabe no cartão
Este trabalho moveu algum número?Não existe indicador com valor de partida e meta
O número está melhorando ou piorando?Não existe série histórica de nada
O que devemos parar de fazer?Todos os cartões parecem igualmente legítimos
As três perguntas que o cartão não responde

A terceira é a mais cara. Num quadro com noventa cartões, todos foram criados por alguém com um bom motivo, e não há nada na tela que ajude a decidir qual deles importa mais. A priorização acaba acontecendo por quem grita mais alto ou por quem tem o cartão mais antigo.

O sinal mais visível de que o teto chegou é o terceiro quadro paralelo. Quando a empresa tem um quadro por área e ninguém consegue mais responder o que a empresa inteira está perseguindo, o problema deixou de ser de organização e virou de alinhamento.

A pergunta que separa as duas categorias

Faça a si mesmo, hoje: se todos os cartões do seu quadro fossem concluídos até sexta, a empresa estaria em uma situação melhor de forma mensurável?

Se a resposta for um sim confiante, o seu quadro está bem priorizado e você não precisa de outra categoria de ferramenta. Se for um "acho que sim", ou se você precisar pensar muito, o que falta não é mais organização de trabalho: é a camada que diz quais cartões existem para mover qual número.

O que fazer se você está no teto

  1. Não abandone o quadro. Ele funciona, o time gosta, e trocar isso custa mais do que rende.
  2. Escreva o objetivo do trimestre e três resultados-chave, com valor de partida. Isso é trabalho de uma reunião.
  3. Olhe cada cartão do quadro e pergunte a qual resultado-chave ele aponta. Os que não apontam a nada são operação.
  4. Marque o check-in semanal, de quinze minutos, só sobre os números. Separado da reunião do quadro.
  5. Se depois de um ciclo manter isso à mão estiver custando caro, aí sim vale ferramenta.

O passo 3 costuma ser revelador e desconfortável: em quase todo quadro, metade dos cartões não aponta para resultado nenhum. Nem todos são desperdício, muita coisa é operação legítima, mas a proporção costuma surpreender.

Perguntas frequentes

Dá para fazer OKR no Trello?
Dá, com etiquetas e um quadro separado de objetivos, e funciona no primeiro trimestre. O limite é que não há indicador nem histórico: o progresso vira uma anotação no cartão, e ninguém consegue ver se o número vinha subindo devagar ou se pulou de uma vez, que é a informação mais útil do acompanhamento.
Os Power-Ups resolvem?
Ajudam em pontos específicos e não mudam o modelo. O produto continua sendo cartão em coluna, e o que falta não é um recurso a mais: é uma unidade diferente, o resultado com valor de partida e meta. Isso não se resolve com extensão.
A partir de quantas pessoas o Trello aperta?
Não é o número de pessoas, é o número de quadros paralelos. Uma empresa de quarenta pessoas com um quadro bem cuidado vai bem; uma de doze com cinco quadros já perdeu a visão do todo. O gatilho é ninguém conseguir dizer a prioridade da empresa sem abrir nada.

Eu construo um concorrente, e o Trello é bom

Eu construo o Orzon. O Trello resolve um problema real melhor do que quase todo mundo, e este texto é sobre o limite dele para um uso específico, não sobre ele ser fraco.

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